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Temos trabalho, temos escritório e temos muitas dúvidas


2017 foi o ano em que deixámos de trabalhar em casa e saltámos para um escritório bonito, fora de portas. Quem foi acompanhando a mudança pode ter pensado que as coisas estavam de tal maneira a correr bem, que nós conseguimos finalmente sair de casa e alugar um espaço. Os amigos mais próximos sabem que a coisa não foi bem assim e que as motivações e os objectivos foram outros.

Voltando um bocadinho mais atrás, o trabalho em casa sempre fez parte dos nossos dias e gostávamos muito de o fazer assim. Com o tempo, e a necessidade de pagar contas, deixou de existir o problema do procrastinar, do deixa para depois ou das distrações. Trabalhávamos muito, gostávamos do conforto das nossas casas e tínhamos até um escritório onde tudo acontecia, ainda que estivesse ao lado da cozinha. No inverno então, podemos dizer-vos que não há coisa melhor do que não ter de enfrentar a chuva e o frio, e passar o dia de pantufas mesmo quando fazemos uma reunião por skype.

Com o passar do tempo o problema passou a ser outro, desligar do trabalho parecia uma tarefa impossível. Podem ler-se vários artigos que nos dizem como separar o trabalho da nossa vida pessoal e acreditem que tentámos de tudo. Fechar a porta do escritório, criar um horário, ter rotinas, mas é sempre tudo mais complicado do que parece e o trabalho ganha sempre qualquer batalha.
Trabalhávamos várias horas por dia, ainda que nem sempre fossem produtivas, e a hora de fecho era quando o jantar estava pronto. Em casa era impossível sentarmo-nos no sofá ao final do dia e sentirmos que era a hora de não fazer nada, a cabeça estava sempre ali na outra divisão.

Por um lado, sabemos que quem tem um negócio próprio terá estas “dores” toda a vida. Assumimos um papel permanentemente alerta porque não podemos desligar. Outra coisa que só piora esta questão é a área do nosso trabalho, a criativa, que está sempre a levar-nos ao limite e sempre a exigir coisas de nós. No entanto, esta presença do trabalho nas nossas vidas não podia continuar assim, simplesmente porque nós não estávamos felizes assim.

As consequências começaram a fazer-se sentir. Posso dizer-vos que cá em casa o dia-a-dia não era fácil mas que, como qualquer pessoa, eu fui-me habituando a essa forma de vida ignorando tudo o que se passava à volta. Quem vive com alguém assim acaba por ficar mais longe dessa pessoa, mesmo quando dorme ali mesmo ao lado. E quem vivia com alguém como eu, tinha um corpo presente mas na maioria das vezes era só mesmo isso.
Eu ficava em baixo se um trabalho não corria bem, ficava mal disposta se não conseguia arranjar solução para um cliente e assim atrasava a entrega, ficava triste se recebia um “não gosto muito da proposta” na caixa de e-mail, e ficava feliz da vida se lia um “Adorei! Era mesmo isto!”.
Resumindo, o trabalho ditava a minha disposição e as oscilações de humor eram constantes, mas na minha cabeça eu estava sempre bem ou normal, porque habituei-me a isso mesmo.

No ano passado cheguei a uma situação limite que me fez procurar ajuda. Com a terapia percebi que o meu problema era a forma como lidava com o meu trabalho e como permitia que ele ditasse tudo na minha vida. Retirava dele as sensações boas ou más que me alimentavam os dias e deixei de ter controlo na minha vida. O não querer falhar, o querer controlar tudo e a necessidade que tinha de querer sempre garantir os meus rendimentos tomaram conta de mim, ainda que parte de tudo isto fosse inconsciente.
Resumidamente era isto, e foi isto mesmo que nós decidimos mudar. Digo nós porque também o Fred estava no mesmo barco e a lutar com as mesmas coisas.

Uma das coisas que quisemos fazer foi então procurar um sítio novo, e longe dos nossos sofás, para trabalharmos. Queríamos ter uma nova morada, não para impressionar clientes, não para parecermos uma empresa a sério, mas para tratarmos melhor de nós e do nosso interior. Este espaço que agora temos permite-nos fechar a porta e deixar cá as coisas menos boas, permite-nos fazer coisas juntos mais vezes, sem virar a casa de pernas para o ar, e permite-nos encontrar clientes e amigos num local que tem a nossa cara.

Viemos para cá em Abril mas podemos dizer-vos que ainda estamos em fase de mudança. Nada é fácil, e as coisas que sonhámos fazer aqui estão ainda agora a começar a acontecer. O tempo escapa-nos, os imprevistos acontecem, o trabalho é sempre muito e a leveza que procuramos ainda nos foge muitas vezes das mãos. No entanto sabemos que estamos no bom caminho e que as coisas tinham mesmo de mudar.

Se estamos com mais dinheiro do que no ano passado? Não. Podemos dizer até que estamos com menos porque agora temos uma renda para pagar.
Se estamos com uma sala cheia de gente a trabalhar connosco? Não, ainda não conseguimos pagar mais salários nem sabemos se um dia o vamos querer fazer. Colaboramos com algumas pessoas sempre que o trabalho nos permite e gostamos muito desta forma de trabalhar, sem que as vidas dos outros sejam também uma preocupação para nós.
Se é sustentável manter o escritório? Claro que sim, até porque nunca damos passos maiores do que as nossas pernocas 🙂

Está quase tudo na mesma e andamos a tentar melhorar a cada dia que passa. Estamos a trabalhar em coisas nossas, ainda que no silêncio, porque sabemos que é impossível cumprir prazos connosco quando os trabalhos dos clientes têm sempre prioridade. Já sabemos que as coisas não acontecem de um dia para o outro e estamos a aceitar cada vez melhor este ritmo natural das coisas. Desde que as mudanças aconteçam ficamos felizes, sabemos é que nem tudo acontece rápido ou da forma que esperamos.

E pronto, esta série de 3 posts chegou ao fim!
Às vezes é difícil para nós perceber o que será mais interessante para vos contar. E é por isso que deixamos aqui a caixa de comentários em aberto para que nos possam fazer todas as perguntas que quiserem, tanto aqui como no facebook. Se as perguntas forem algumas faremos o prometido vídeo, com todas as respostas, e filmado aqui no escritório para ser publicado já na próxima semana. Se não forem curiosos e não quiserem saber mais nada também está tudo bem 🙂

 

Para quem não acompanhou, os dois últimos posts sobre este assunto e sobre o nosso caminho estão aqui:

Despedi-me, criei o meu próprio negócio e estou pobre

Como rentabilizámos o nosso negócio

 

E o nosso próximo workshop WBY Grow, vai ser já nos dias 18 e 19 de Novembro!
Quem quiser estar connosco pode contactar-nos por e-mail para mais informações 🙂

 

 

 

Comments

  • Alda Vasconcelos

    Reply

    Olá, a minha pergunta para vocês é: como lidam com a incerteza, e com as “opiniões” de família e amigos sobre as vossas decisões. É maravilhiso tomar as rédeas da nossa própria vida, mas tudo isso tem um preço. Como lidam com essa pressão? Beijinhos

    Outubro 25, 2017
  • Ana

    Reply

    Olá meninos! Gostei muito dos vossos posts e tenho algumas questões, que são: há alguma altura certo para sabermos quando devemos arriscar? É que por um lado sinto que ainda não estou pronta para isso, por outro lado sinto que se não arriscar, nunca mais saio deste impasse… Outra questão: como é que faço para chegar ao tipo de clientes que mais me agrada? Sendo que trabalho com fotografia, há certos géneros que não me agradam e que não quero fazer…
    Beijinhos para os dois.

    Ana

    Outubro 25, 2017
  • Vera

    Reply

    Olá, olá! Quando deixaram o emprego, para prosseguirem a vossa própria aventura, como reagiu a vossa família? E, quando recebem clientes com propostas que não vão de encontro ao vosso tipo de trabalho, como procedem?
    Beijinhos 💕

    Outubro 25, 2017
  • sara

    Reply

    Olá! Gostei muito destes post! Como me identifico com esta questão de trabalhar em casa… Estou na mesma, não por opção mas porque fui “empurrada” para isto, e com crianças em casa… as coisas são bem complicadas às vezes…
    Não tenho dúvidas, tenho é curiosidade para ver o vosso escritório novo… deve estar lindo!!!
    Cumprimentos
    Sara

    Outubro 26, 2017
  • Novembro 5, 2017

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