Subscreva

Cum sociis natoque penatibus et magnis
[contact-form-7 id="1210" html_class="cf7_custom_style_1"]

Subscribe elementum semper nisi. Aenean vulputate eleifend tellus. Aenean leo ligula, porttitor eu, consequat vitae eleifend ac, enim. Aenean vulputate eleifend tellus.

[contact-form-7 id="984" html_class="cf7_custom_style_1"]

O HYGGE, e o livro bonito do qual toda a gente fala

Este livro dinamarquês, que anda nas bocas do mundo, veio cá parar a casa ainda antes do natal, tudo graças a amigos que nos conhecem bem e sabem o que nos faz falta na vida. Por coincidência, no ano passado fui obrigada a repensar a sério várias coisas na minha vida, a mudar o rumo que ela estava a seguir e este livro, que à partida é tão simples e até ingénuo, veio trazer mais uma luzinha ao meu caminho. O livro do HYGGE fala sobre bem-estar e sobre conforto, mais ainda, sobre a importância e prioridade que devemos dar a estas coisas, e só por isso devorei-o de uma ponta à outra e prometi a mim mesma que uma das minhas costelas teria de ser sempre dinamarquesa.

O HYGGE está para os dinamarqueses como a Saudade está para nós portugueses. Também existe enquanto palavra porque antes existia já o sentimento e foi necessário arranjar um conjunto de sílabas para o descrever. HYGGE é mais sobre sensações e menos sobre coisas, é mais sobre conforto, amigos, calor e segurança do que sobre outra coisa qualquer. Este livro fala-nos exactamente disto e da importância que os dinamarqueses lhe dão. É tão importante trabalhar das 9 às 6, como acabar o dia com um momento HYGGE, na companhia da família ou amigos, à volta da mesa, com boa comida, velas e luzes quentes e confortáveis.

Muitos dirão que nós também valorizamos o conforto mas, apesar disso, é fácil perceber que nós portugueses ainda estamos longe de chegar a este ponto. Claro que usufruímos de conforto nas nossas vidas, assim como, nos outros países, as pessoas também sentem saudade, mas nós temos uma história e uma herança que nos faz sentir isto de outra forma, uma forma tão intensa e especial que foi necessário verbalizá-la.

Convém lembrar que na Dinamarca o sol não faz visitas tão longas como nos faz a nós, a escuridão e o frio estão mais presentes, e é a estes factores que eles ligam esta necessidade e procura de conforto, principalmente em casa.


O livro vem organizado em capítulos, cada um deles foca-se numa área que, de certa forma, pode levar-nos a usufruir desta energia boa. Fala de velas, e da importância visual que elas têm, e de como esse calor visual se transforma em conforto. Fala também de comida que nos traz conforto, do que vestimos e como isso pode influenciar os nossos dias e a nossa forma de estar. Fala de como a maior parte das coisas que nos fazem bem são gratuitas, e ter um reminder destes na mesinha de cabeceira nunca é demais.

No geral acho que este livro, pequenino, tem grandes lições para nós, portugueses, que ainda precisamos de muita educação em várias coisas. Os nossos interiores são um desastre, a maioria dos sítios são frios e desconfortáveis. As luzes brancas são uma praga, os materiais baratos também, temos muito a aprender sobre iluminação e conforto com os países nórdicos.
Ao contrário deles, temos um dos melhores climas do mundo, mas nem por isso o aproveitamos. Ainda esta semana, num dia de sol intenso e céu azul, fui almoçar a um restaurante com jardim, que ainda não tinha a esplanada a funcionar. Porque, para nós, não bastam uns 17 graus e um dia lindo. Precisamos de estar quase no verão para deixarmos de sentir frio e acharmos que podemos apanhar sol. Em dias de sol, mas ainda em Fevereiro, a maioria continua dentro de portas porque “ainda está frio”. Se formos a Amesterdão, só para dar um exemplo que vi de perto, basta que o sol espreite para que os parques fiquem cheios e de qualquer canto se faz uma esplanada.

Também precisamos aprender com eles que, se calhar, não vale a pena ter 2 ou mais carros por agregado familiar. Bons transportes públicos dão menos despesa, reduzem a quantidade de transito na estrada, consequentemente movemo-nos mais depressa e o ambiente agradece. Mais bicicletas, mais caminhadas, mais partilha de recursos e menos barulho na rua.

E por fim, quero só falar daquela coisa que não foi novidade para mim, mas que ainda tenho de lutar todos os dias para não esquecer, o trabalho. O trabalho tem um horário e, durante esse tempo, estamos dedicados a ele mas depois disso devemos viver. A vida pessoal é tão ou mais importante que a profissional e eu andei a viver ao contrário durante muito tempo. Adoro o meu trabalho, não me entendam mal, e adoro tanto o meu trabalho que coloquei nele todas as minhas energias e sonhos. Estava feliz quando o trabalho corria bem, ficava triste quando um trabalho era rejeitado, ficava danada da vida se não conseguia acabar uma tarefa. O trabalho passou a ser a medida para o meu bem-estar, e por muitos motivos (história longa que não dá para serem resumidos num post) assumi que isto era a única certeza que eu tinha na vida, e que por isso estaria sempre em primeiro lugar.

Esta forma de estar veio só fazer com que ele tivesse um peso enorme, e fez com que eu não visse da forma certa tudo o resto que estava à minha volta. Vivi da forma errada durante muito tempo e, no ano passado, cheguei a um ponto de desconforto que me fez procurar ajuda e repensar tudo o que queria para mim e para a minha vida.

Aprendi que gostar do que faço não significa que tenha de o fazer mais de x horas por dia, ter um negócio próprio não implica ter de abdicar de fins-de-semana ou férias. O trabalho é isso mesmo, trabalho, se gostar dele tanto melhor, serei feliz enquanto o faço, mas no final do dia ele tem de ficar longe, à espera da manhã seguinte, e eu não posso trazê-lo para a mesa de jantar.

Dizem que, na Dinamarca, se alguém estiver a trabalhar no fim-de-semana está com certeza zangado com a vida. Isto se calhar é um exagero, mas deve representar aquilo que praticam, cá somos exactamente o contrário, alguém que trabalha durante o fim-de-semana é alguém muito profissional, esforçado, lutador e persistente. Aqui batemos palmas a quem fica horas extra em frente ao computador, aos que “vestem a camisola”, mas não fazemos o mesmo a quem sai a horas para ir passear com os filhos ou para ir ao cinema com os amigos.

Andamos todos ocupados com trabalho, a adiar almoços com amigos porque “esta semana não dá jeito” e a correr. a fazer cada vez mais coisas, em menos tempo, e a exigir cada vez mais de nós. Pergunto-me, cada vez mais vezes, para onde corremos nós com tanta pressa?

O livro é bonito, por fora e no seu conteúdo. Para muitos não há-de trazer muitas novidades, para outros pode servir para conhecer outras formas de estar na vida. Obrigada à Joaninha por me ter dado um presente tão bonito.

Que a moda do HYGGE venha para ficar, estas não fazem mal a ninguém 😉

Comments

  • Inês Vaz Pinto

    Reply

    Obrigada Raquel! Beijo grande

    Fevereiro 27, 2017
  • Ana, Go Slowly anagoslowly.blogspot.pt

    Reply

    Adorei o post! Tão bom! Tenho o livro mas ainda não li. Devo estar quase quase a começar.
    Infelizmente aqui em Portugal não damos realmente valor ao sítio onde vivemos e à qualidade de vida que temos.
    Em relação ao trabalho faz-me tanta confusão que seja bem visto ficar depois do chefe, mesmo que não estejamos a fazer nada, juro que não consigo compreender.
    Espero sinceramente que um dia isso mude de vez!
    Que sejamos mais produtivos no trabalho mas em menos tempo e que consigamos saborear cada momento das nossas vidas com a intensidade que eles merecem.
    A vida é demasiado bonita para ser vivida a correr.
    Beijinho*

    Fevereiro 27, 2017
    • Raquel

      Reply

      Verdade Ana, e quem opta por querer de facto trabalhar menos e viver mais outras coisas, não seja olhado de lado e rotulado de preguiçoso ou comodista. Eu ainda ando a praticar tudo isto de viver devagar, deixar o trabalho na gaveta depois das 18h, e focar-me mais no resto. Nem sempre é fácil, ainda sofro muito de ansiedade e tenho de controlar esta cabeça que não pára de me dar informação, mas espero um dia chegar lá e estar muito mais serena 🙂
      Para já vou cumprindo as regras, mesmo quando a cabeça me quer contrariar.

      beijinhos!

      Março 7, 2017

Leave a comment