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Berlim, coisas mais cinzentas e cafés bonitos

Ontem escrevi o primeiro post sobre Berlim, hoje vou escrever o último, e falar-vos do quão difícil é  esquecer o que se viveu nesta cidade, há poucas décadas atrás. E se é difícil esquecer é porque os alemães fazem questão de assinalar, informar e homenagear muitas das vítimas das coisas horríveis que ali aconteceram. Em cada canto da cidade há coisas que nos lembram e nos dão a conhecer factos históricos que nem sempre nos deixam de ânimo leve para continuar o dia. No entanto a cidade é tão cheia de energia que, se num momento nos puxa para o passado, noutro traz-nos mesmo o presente alegre e colorido.

Estas imagem que aqui vêem em cima são do Memorial do Holocausto, uma área coberta por mais de 2000 blocos com diferentes alturas, e que nos deixam com uma sensação de peso, impotência e desorientação. Representam os túmulos das vítimas e por baixo deste memorial existe um andar com muita informação acerca das vítimas e cartas escritas pelos próprios.

Este peso de que vos falo senti sempre que fui confrontada com informação que está pontilhada pela cidade. Relembrar as vítimas e o horror que viveram não é fácil, mas é bom sentir esta necessidade de homenagem e de contar a história como ela de facto aconteceu, sem nenhum tipo de constrangimento.
Numa das ruas encontramos esta mesa e esta cadeira tombada, que representa o momento brusco e duro em que alguém teve de deixar a sua casa e partiu rumo ao desconhecido.

Fizemos uma visita ao Museu da Bauhaus, e quanto a este nada de terrível tenho a dizer, a não ser relembrar o facto de que esta escola de Design, Artes plásticas e Arquitectura, fechou portas em 1933 pelas mãos do governo Nazi, porque também ela ia contra os ideais deste governo. Ao lado podem ver um dos cartazes que foi feito para promover a campanha política da altura, e para quem gostar deste tipo de informação e de suporte gráfico, os cartazes podem ser vistos na Topografia do Terror.


Neste museu, com entrada livre, podemos ver tantas imagens que nos contam mais um pouco desta história que já conhecemos. As fotografias são muitas e as histórias também. Cá fora há ainda uma parte do muro intacta e protegida, e vários pedaços de história que foram recolhidos e trazidos para ali.

Depois da guerra, a vida para muitas pessoas não ficou mais fácil. O muro que veio dividir a cidade ainda anda por lá, às  vezes só assinalado no chão, e os memoriais dedicados às vítimas que o tentaram passar também são muitos. Esta história só acabou em 1990 mas parece que foi muito antes, por ter dado origem a coisas tão horríveis.

 

Visitámos o Reichstag, o edifício do Parlamento Alemão, que na sua origem tinha uma grande cúpula em pedra. Depois de destruído na guerra, a reconstrução fez desta cúpula uma estrutura transparente, que é perfeita para nos dar a conhecer a cidade. A visita é gratuita, ainda que seja preciso marcar hora, e a visita guiada em formato áudio vai-nos acompanhado no passeio e vai-nos dizendo que edifícios estamos a ver.

 

Vamos falar agora de coisas mais doces?
Os pequenos-almoços e os cafés foram sempre bons e em sítios simpáticos. Este aqui de cima deixa entrar animais e até tem dois gatinhos residentes. É o Blaues Band e a comida é boa e relativamente barata. Este fica na zona de Mitte, e todas as ruas à volta são boas para passear. A zona era habitada por muitos judeus e isso também vai estando assinalado por lá. A rua de Linienstraße, Rosenthaler Str, Große Hamburguer Str. e todas as outras ali à volta estão cheias de lojas e cafés simpáticos.

 

A Paper and Tea é só uma das lojas bonitas da zona, tem chá e material de estacionário, e o chá é tão especial que há sempre um acabado de fazer e oferecido a quem entra.
Se não querem gastar dinheiro em revistas não entrem! A Do you read me está carregadinha delas e são uma tentação. Não falta nada por aqui, na zona central de Mitte, se tiverem tempo caminhem muito por estas ruas, principalmente pelas que parecem mais calminhas, é onde se escondem os verdadeiros tesouros 🙂
O Happy Baristas fica na zona de Friedrichsain, não provámos os bolos porque fomos para os salgados, tinha tudo óptimo aspecto e o café era delicioso. A água está sempre disponível e não se paga, o que é simpático.

 

 

O Nuno disse que não devia perder o Roamers e por isso lá fomos nós para Kreuzeberg, num final de tarde muito, muito frio, e encontramos este espaço acolhedor, completamente descontraído, onde nem havia internet ou máquina registadora. Comemos muito bem e vale a pena dar uma espreitadela ao Tumblr.

Outro dos nossos dias começou no Distrikt Coffee, mas a diferença de temperaturas foi tanta que fiquei com a lente toda embaçada e foi impossível tirar mais fotografias, só mesmo na hora de vir embora.

 

 

O que muito impressiona na cidade é também a quantidade de espaço útil dedicado às pessoas. Cá em Portugal uma fachada como esta esconderia apenas esta casa, e um grande jardim privado atrás, na maior parte das vezes desaproveitado. Em Berlim atrás desta fachada temos mais construção, e geralmente o edifício é construído à volta de um páteo ou jardim interior, partilhado por todos os moradores. Outra hipótese é terem também a ligação à rua aberta e alojarem cafés e comercio. Desta forma evitam os quarteirões enormes e desaproveitados, e ali para trás existem muitas mais janelas, espaço para guardar bicicletas e até os contentores do lixo.

E é assim que acabo este post sobre Berlim, com um ambiente quente que, apesar de tudo, nos ofereceu sempre. a oferta nos quatro distritos é tanta que o melhor mesmo é perderem-se por lá, entrarem nos sítios que vos parecerem simpáticos, e aproveitarem muito. O que aqui vos mostrei é uma migalhinha do que por lá há.

Espero que tenham gostado, nós esperamos voltar, com bom tempo para visitarmos as coisas que nesta altura eram mais complicadas.

Raquel

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